23 de outubro de 2012

Pelas margens da Ribeira de Pera

Já algum tempo que não tenho possibilidade de fazer uma caminhada junto à Ribeira de Pera, mas espero que logo que seja possível retomar este hábito e levar, como de costume, a família comigo. 

É interessante como conheço estes caminhos há tantos anos mas todas as vezes que lá passo deparo-me com novas belezas, descubro novos percursos, tiro novas fotografias. Do verde intenso do verão  ao dourado do Outono, passando pelo desabrochar da Primavera.

Recomendo, a quem ainda não teve oportunidade, que faça o percurso da Salaborda Nova ao Mosteiro e num outro dia o do Mosteiro ao Rabigordo e volte pela outra margem para o Mosteiro. Mas existem mais percursos pedestres no concelho e até mesmo fora dele. Sugiro também os existentes no Coentral, Castanheira de Pera.

22 de dezembro de 2011

Feliz Natal



Desejo a todos os leitores um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo, com votos de mais opiniões e sugestões sobre o nosso blogue.

Feliz 2012

25 de novembro de 2011

Feira de Santa Catarina

Hoje é dia da Feira de Santa Catarina!

É neste dia que, por tradição, se comiam as últimas sardinhas do ano. A população da freguesia deslocava-se até Vila Facaia para a tradicional romaria para comprar o que lhe fazia falta, da roupa às ferragens passando pelos animais, principalmente porcos. A minha mãe conta que era aqui que se vendia o porco que se tinha engordado e se comprava o novo leitão.

Hoje são poucos os vendedores e menos os compradores. A maioria passea-se apenas pela tradição. Tradição é também chover neste dia, hoje foi excepção!

24 de novembro de 2011

Que pena...

É com muita tristeza que tenho vindo a verificar mês após mês a degradação do espaço da fonte da Salaborda Nova. Local com muito significado para todos os que lá vivem, pois era aqui que a população se abastecia de água e lavava a sua roupa, sendo este o único lavadouro da aldeia.
Começaram por construir uma ponte de cimento em cima desses mesmos lavadores (que ainda permanecem por baixo da referida ponte com as suas lousas onde se esfregava a roupa), depois a ausência de limpeza desse tanque/lavadouro e de toda a barroca e do espaço envolvente levou a uma acumulação de lixo, terra, ervas chegando a este estado.

Gostava apenas de referir que esta situação é do conhecimento da Junta de Freguesia de Vila Facaia a quem várias vezes dei  a conhecer, via mail, nas reuniões de assembleia e pessoalmente ao Sr Presidente da Junta, o desagrado da população. Desagrado mostrado também por outros moradores que, ao contrário de muitos, recuperaram a casa dos seus familiares e alí passam grande parte do seu tempo de férias e de fim-de semana dando alguma da pouca vida à aldeia.

Depois dos vários contactos realizados foi possivel apenas a remoção dos tanques de cimento que alí tinham sido colocados, que para nada serviam, mas mais nada foi feito. Resta-me, por calorice todos os anos no Verão limpar uma ou duas vezes a barroca e remover todo o lixo daquele local. Pode ser que alguém, com um pouco mais de coragem do que eu, entre na mina e coloque o tubo da água junto à nascente, de forma a que volte a correr água.
 
 
Gostava de voltar a ter um pucaro da resina (de barro) em cima da lage e sempre que alí passasse, e me apetecesse, fosse beber um copo de água.


Alguns recuperam outros abandonam. Alguns interessam-se outros ignoram.

11 de novembro de 2011

S.Martinho

"No dia de S. Martinho vai à adega e prova o vinho" (provérbio tradicional)

Nesta altura do ano


Nesta altura do ano podemos ver o medronho já maduro

e o pêro de inverno (ou pêro pau) que quase já não se encontra na Salaborda mas que me faz recordar o cheiro caracteristico que a casa do forno dos meus avós tinha durante o inverno, pois esta fruta antigamente era guardada em cima da palha ou em tarimbas de madeira de forma a se poder comer durante todo o inverno, visto ser era uma altura de pouca fruta e esta tinha a caracteristica de se aguentar durante bastante tempo sem se estragar.


Hoje, além das laranjas e do pêro de inverno, já encontramos na Salaborda outros frutos de invero, pois muitas latadas já não recebem as videiras, como no tempo dos meus avós, mas sim de Kiwis


Nesta altura já se apanharam as nozes, já se fez a vindima (que devido às alterações climatéricas cada vez se faz mais cedo, tal como a apanha da azeitona) resta-nos varejar os castanheiros e assar umas castanhas acompanhadas por um abafado caseiro.
Quase todas as arvores estão vestidas de cores de outono.


Merendeiras

Já lá vai mais de uma semana desde o dia de santos, no entanto não quero deixar de referir o que mais gosto de saborear nesta altura: as típicas merendeiras dos santos.

A receita da minha família é: 1 kg de batata, 1kg de farinha, 1 kg açúcar, 4 ovos, erva doce, canela,uma pitada de sal, 1 colher de café de fermento, passas de uva, nozes e pinhões. É tudo bem misturado com as mãos, de seguida tende-se pequenas bolas passas por farinha e colocam-se no forno a cozer. A tradição era em forno a lenha, no enanto hoje quase ninguém o faz. É mais rápido e cómodo faze-lo no forno a gás na cozinha.

Apesar da minha idade, todos os anos a minha madrinha me oferece umas quantas merendeiras destas que eu bem agradeço!

16 de outubro de 2011

Tortulhos

No Outono, com os primeiros dias de chuva, começam a surgir os tortulhos ("tartulhos" por nós designados). Os Tortulhos são cogumelos silvestres e podem ser confecionados de diferentes maneiras, no entanto os que eu mais aprecio são com ovos: fritamos bastante cebola picada am azeite, colocamos presunto picado ou restos de carne, os cogumelos lavados e espremidos, juntamos os ovos mexidos e acompanhamos com uma bela fatia de broa de milho.

Existe uma grande variedade de cogumelos, no entanto temos de ter muita atenção e cuidado ao apanha-los pois uns são comestíveis e outros são venenosos. Na Salaborda Nova podemos encontrar diferentes tipos de cogumelos, no entanto, eu, por uma questão de segurança e de conhecimento, só apanho os tradicionais "tartulhos".
Segundo o manual das boas práticas do ministério da agricultura, o tortulho nunca deve ser arrancado, mas sim cortado o pé, para garantir a manutenção da parte vegetativa (micélio), capaz de produzir outros cogumelos no mesmo local e no mesmo ano.

Também, nunca se deve apanhar exemplares demasiado jovens ( "tartulhos fechados") que ainda não completaram o desenvolvimento, de forma a garantir um período para a dispersão dos esporos, que se encontram na parte inferior do chapéu (píleo). São estes esporos que vão germinar e fundir-se com o micélio para produzir um novo cogumelo.

Em vez de colocarem no lixo os resíduos resultantes da preparação para o petisco, devolvam-nos ao local onde os colheram e vejam o resultado no ano seguinte.

Este ano o Outono está a demorar a chegar, por isso esperamos as primeiras chuvas para ir à procura dos "tartulhos".


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13 de março de 2011

Número de polícia

Hoje quase ninguém manda cartas ou postais à família ou aos amigos. A Internet, o telefone, o telemóvel tiraram o gosto pela escrita em papel. É mais cómodo, rápido e produz imediata resposta da parte do destinatário, no entanto não é a mesma coisa!

Todos sabemos que para que uma carta chegue ao seu destinatário é necessário colocar o nome, morada e código postal. A algum tempo o código postal passou a ter mais três dígitos que correspondem à aldeia respectiva ( na Salaborda Nova é o 220), o ano passado a Junta de Freguesia de Vila Facaia colocou em todas as aldeias placas a identificar as ruas (assunto polémico e controverso para algumas pessoas pois os nomes foram atribuidos sem a população ser ouvida) e agora recentemente foram atribuídos números de polícia (nº de porta).

Não me perguntem qual é o meu, pois não faço ideia. Informação supérflua.

E qual será  o critério de atribuição do número?!

12 de março de 2011

Orelheira e grão

No fim de semana passada aproveitei as mini-férias para ir até à Salaborda Nova mas fui já com os dias já planificados em relação ao que ia fazer e até ao que ia comer. Pois há coisas que, embora as façamos da mesma maneira, temos a ilusão que não tem o mesmo sabor de quando são confeccionadas na terra. Assim sendo ia a fazer conta de comer orelheira cozida como é tradição nesta altura do Carnaval. No entanto trocaram-me as voltas e acabei por comer tudo menos o que eu tinha planeado. Apenas uma tacinha de arroz doce para animar!

Era por tradição no Carnaval cozer a orelheira com o focinho do porco e comer com grão e massa. Verdade seja que eu relativamente à sopa de grão com massa não tenho saudades, mas da orelheira com uma fatia de broa de milho, isso sim!

Restou-me aproveitar o sol e o frio que se fazia sentir naqueles dias e a companhia daqueles que me fazem sempre voltar.

22 de dezembro de 2010

BOAS FESTAS

Já a algum tempo que não temos novidades neste blogue, no entanto não quero que pensem que desisti de escrever sobre a nossa terra, apenas fiz uma pausa, pois espero retomar dentro em breve.
 
Aproveito apenas para desejar as Boas Festas a todos os que leêm e são amigos deste blogue.
 
Feliz Ano Novo!

27 de maio de 2010

Vivo no terreirinho ou é engano?!

Há mais de 30 anos que eu estava convencida que morava no terreirinho, pelo menos foi isso que eu sempre ouvi! No entanto a minha rua apresenta-se actualmente com um outro nome, para espanto dos que alí moram e que não foram "tidos nem achados" dessa alteração!

Alguns nomes agora atribuidos às ruas coincidem com nomes que já se dava a alguns sítios na aldeia, alguns são os mesmos outros não. Outros são, na minha opinião, completamente absurdos.

Pois então: deixamos de ter a tapada, o terreirinho, sarrada (ou serrada), valepousio (ou vale pousio) e passámos a ter a Rua do Rosmaninho, Rua das Oliveirinhas e Rua da Salade.
Ora vejamos:
  • A Rua do Castelo vai desde o início da aldeia (de quem vem de Vila Facaia) até à saída direcção Salaborda Velha;
  • Rua da Salade: do início da aldeia (de quem vem das Sarzedas) até ao cruzamento do antigo terreirinho (quem terá dado este nome e tendo o quê como base?!!)
  • As Casinhas manteêm-se com o mesmo nome tal como o Cabeço: Caminho das Casinhas e Beco do Cabeço;
  • Rua da Terleira vai desde a Casa do Vasco ao início da aldeia (de que vem das Sarzedas);
  • Rua da Eira: da casa do Manuel Diniz até à casa do Casanova e nesse mesmo local está colocada a placa da Rua da Fonte que vai até à casa do meu avô José Bernardo (desta forma o Casanova tem metade a casa na Rua da Fonte e metade na Rua da Eira!!! interessante!!)
  • O Largo da Eira continua com o mesmo nome;
  • Rua das Oliveirinhas: da casa do Manuel Arega até à antiga Tapada (casa do meu tio Abilio Bernardo);
  • Rua do Rosmaninho: da casa do meu tio António Bernardo à casa do meu tio Fernando (dos postes);
  • Rua do Cântaro: da casa dos meus avós até à capela; Rua Santo António: da serrada à casa da Clementina;
  • Rua da Encruzilhada: da casa da Leonor à casa do Manuel Arega.
Agora resta-me perceber: continuo a colocar o nome que todos conhecem desde sempre, que está registado em todos os documentos legais ou coloco o nome da rua que me foi atribuida sem que ninguém se pronunciasse?

4 de abril de 2010

Domingo de Páscoa

"Entrudo borralheiro traz a Páscoa ao terreiro"

17 de fevereiro de 2010

Frio...

Não nos deixemos iludir pela fotografia, pois a Primavera ainda não chegou, são apenas violetas sobreviventes de um frio de rachar que se faz sentir na Salaborda e por todo o país em geral. Na aldeia as temperaturas tem rodado os 5º e -1º acompanhados por um vento gélido que nos faz correr para dentro de casa para bem perto das lareiras que estão acessas quase todo o dia.

Estas pequenas e singelas flores fazem-me recordar os tempos em que ia de prepósito à terra do Sr. Manuel Dinis apanhar um pequeno ramo de violetas para no dia seguinte levar para a minha professora primária que as adorava. Segundo me lembro o seu gosto devia-se a ter casado com um ramo destas flores. Assim sendo eu levava-lhe ramos e ramos de violetas... Pessoa por quem ainda hoje tenho grade estimação: a prof. Leontina.

16 de fevereiro de 2010

Carnaval

Com o passar dos anos nota-se que os tradicionais bailes de carnaval e festejos alusivos ao mesmo tendem a desaparecer!

No meu tempo em Vila Facaia, na terça-feira de carnaval, havia um pequeno desfile de todos os que quisessem participar individualmente ou em grupo finalizando sempre com festa e bailarico.
Na Salaborda eramos três ou quatro que por estes dias nos desfarçavamos com roupas velhas para que não fossemos reconhecidos (que era de todo evitado visto que todas agente sabia quem eramos) a preparar partidas aos vizinhos e nos entretiamos a colocar os vasos das flores à porta da entrada das casas, de fechar a torneira da água a todos os que tivessem a porta do contador aberta, a colocar os caixotes do lixo espalhados pela aldeia e outras pequenas e inofensivas coisas.
Já no tempo dos meus pais parece-me que era bem diferente, pois embora se fizessem pequenas partidas havia também uma série de tradicões relacionadas com o carnaval, nomeadamente a partilha do burro feita por dois jovens, um no cimo da aldeia e outro no fundo, que falavam através de um funil e dividiam o burro pelos moradores da aldeia em jeito de sátira.

12 de janeiro de 2010

Sublime manto branco

Nevar na Salaborda Nova não é propriamente novidade, mas a aldeia completamente coberta com um manto branco durante horas e horas, isso sim não acontece todos os anos, pois este ano a chuva não apareceu logo para dar fim a este belo espetáculo.

Começou logo pela manhã fazendo com que alguns se despachassem a dar banho às laranjeira e limoeiros para estes não se queimarem mas pouco efeito teve pois a neve voltou a cair ao início da noite levando a que as temperaturas baixassem ainda mais.

Um belo espetáculo que nem todos tiveram o prazer de apreciar!

24 de agosto de 2009

Festa em honra de Stº António


Era sempre no terceiro fim-de-semana de Agosto que era festejada a festa em honra de Santo António na aldeia da Salaborda Nova.

Já passaram alguns anos desde que se deixou de celebrar a dita festa. Verdade seja dita que já não me lembro de tal! Recordo-me apenas de alguns anos terem sido feitas melhorias na capela e se ter realizado uma pequena cerimónia religiosa e de enfeitarmos o largo da capela. Lembro-me perfeitamente de fazer inúmeros balões em papel e de fitas coloridas.

Na sacristia ainda se podem ver algumas fogaças nuas, de madeira e com arames velhos, que percorriam as ruas da aldeia nos dia da procissão, recordando uma longínqua realidade.
A capela sofreu novamente em 2007 algumas melhorias, nomeadamente no telhado, sendo que os custos foram apenas suportados por aqueles que quiseram comparticipar sendo eles da aldeia ou amigos e vizinhos, não tendo sido feito qualquer peditório, tal como aconteceu em 1990.

A capela tem no seu interior um simples altar de mármore, onde estão o padroeiro, Stº António, Nª Srª de Fátima e Stª Catarina padroeira da freguesia. Nos últimos anos a capela recebeu também, por doação, duas figuras do Sagrado Coração de Jesus.

Capela simples, de uma aldeia modesta no interior do país, onde a sua ainda existência se deve à boa vontade dos moradores.

1 de junho de 2009

Cheiro a Verão


Estamos no início do mês de Junho e o calor aperta!

No sábado decidi ir à horta da fonte para apanhar uns agriões para o jantar, no entanto tive de aguardar as 7 da tarde para o poder concretizar, pois esta tarde atingiu os 39 graus! Aproveitei a caminhada para passar junto de uma cerejeira do meu tio e regalar-me com a tamanha carga de cerejas que este ano se encontra. Mas parece que este ano não são só as cerejeiras que estão lindas pois as poucas hortas cultivadas encontram-se repletas! "Vai ser um bom ano para a agricultura, nada tem moléstia!" dizem por aqui!

Acabei o dia junto à dita cerejeira a ouvir apenas os grilos, as cigarras e vários pássaros difíceis para mim de identificar. Pena foi não conseguir gravar aquele momento...

28 de maio de 2009

Cheiro a bolo e pão cozido

Não é completamente clara na minha lembrança de como era antigamente festejada a Pascoa na nossa aldeia, pois recordo-me apenas que era uma altura festiva em que os familiares que residiam fora da aldeia, regressavam nesse fim-de-semana prolongado para estarem com a sua família, no entanto em conversa com os meus pais estes fizeram-me recordar de algumas.

Antigamente quase todas as pessoas tinham por hábito na quinta e sexta-feira antes da Pascoa faziam jejum e não comiam carne, de acordo com a religião católica. A alimentação era por vezes "compensada" com umas filhós.

Para o domingo a refeição era totalmente diferente, sendo mais rica do que o habitual. Normalmente matava-se um coelho ou uma galinha para assar no forno a lenha, cozia-se pão de mistura de trigo, milho e centeio (o que não era usual), fazia-se arroz doce e bolos cozidos.

Para os que não sabem como se confecccionam estas iguarias, passo a explicar cada uma delas.
Pão de mistura:
Numa masseira de madeira amassa-se a farinha de milho, de centeio e de trigo com uma pitada de sal, água e o crescente (uma taça com um poção da massa do pão que se tinha feito anteriormente e que se tinha guardado, fazia-se uma cruz, com as mãos, na massa e rezava-se a seguinte oração:"Deus te acrescente e te deixe comer com saúde e descanso". Colocava-se a tijeloa, que iria servir para tender o pão, em cima da massa e tapava-se a masseira com uma toalha e deixava-se repousar.
Entretanto aquecia-se o forno com lenha miuda, fazendo-se uma fogueira no centro do forno durante mais ou menos uma hora, espalhando a brasa por todo o forno para que todo ficasse quente de forma a obter um bom lar ao pão/ base do pão. Quando todos os tijolos estivesses brancos era sinal de que o forno estava bem quente, assim, com um rodo de madeira, puxava-se a brasa para a boca do forno e varria-se com uma vassoura de solgaços (mato) a borralha do fundo do forno. De seguida colocava-se na tijeloa um pouco de farinha de forma a que a massa não agarrase quando a tendesse-mos, esta era colocada numa pá de cabo longo também enfarinhada e posta no forno a lenha a cozer. Fechava-se a boca do forno durante algum tempo para manter o calor mas de seguida retirava-se a tampa e deixava-se cozer durante cerca de duas horas. Nos últimos minutos de cozedura fechava-se novamente a boca do forno, pois este tinha perdido muito calor durante a cozedura e se necessário fazia-se uma pequena fogueira à boca do forno para o pão ganhar um pouco de cor.


Na segunda-feira a seguir ao domingo de Pascoa o pároco da freguesia deslocava-se às aldeias para receber o "folar", sendo anunciado por um foguete atirado à entrada da aldeia.

Este folar tratava-se de um ritual de entrar em todas as casas que estivessem assinaladas com flores à porta,acompanhado por uma pessoa com a cruz, outra com a água benta e outra com um sino, onde se rezava e benzia com a água. Este grupo era saudado com uma mesa com amêndoas, vinho e um prato com a esmola a dar.
(cont.)