28 de maio de 2009

Cheiro a bolo e pão cozido

Não é completamente clara na minha lembrança de como era antigamente festejada a Pascoa na nossa aldeia, pois recordo-me apenas que era uma altura festiva em que os familiares que residiam fora da aldeia, regressavam nesse fim-de-semana prolongado para estarem com a sua família, no entanto em conversa com os meus pais estes fizeram-me recordar de algumas.

Antigamente quase todas as pessoas tinham por hábito na quinta e sexta-feira antes da Pascoa faziam jejum e não comiam carne, de acordo com a religião católica. A alimentação era por vezes "compensada" com umas filhós.

Para o domingo a refeição era totalmente diferente, sendo mais rica do que o habitual. Normalmente matava-se um coelho ou uma galinha para assar no forno a lenha, cozia-se pão de mistura de trigo, milho e centeio (o que não era usual), fazia-se arroz doce e bolos cozidos.

Para os que não sabem como se confecccionam estas iguarias, passo a explicar cada uma delas.
Pão de mistura:
Numa masseira de madeira amassa-se a farinha de milho, de centeio e de trigo com uma pitada de sal, água e o crescente (uma taça com um poção da massa do pão que se tinha feito anteriormente e que se tinha guardado, fazia-se uma cruz, com as mãos, na massa e rezava-se a seguinte oração:"Deus te acrescente e te deixe comer com saúde e descanso". Colocava-se a tijeloa, que iria servir para tender o pão, em cima da massa e tapava-se a masseira com uma toalha e deixava-se repousar.
Entretanto aquecia-se o forno com lenha miuda, fazendo-se uma fogueira no centro do forno durante mais ou menos uma hora, espalhando a brasa por todo o forno para que todo ficasse quente de forma a obter um bom lar ao pão/ base do pão. Quando todos os tijolos estivesses brancos era sinal de que o forno estava bem quente, assim, com um rodo de madeira, puxava-se a brasa para a boca do forno e varria-se com uma vassoura de solgaços (mato) a borralha do fundo do forno. De seguida colocava-se na tijeloa um pouco de farinha de forma a que a massa não agarrase quando a tendesse-mos, esta era colocada numa pá de cabo longo também enfarinhada e posta no forno a lenha a cozer. Fechava-se a boca do forno durante algum tempo para manter o calor mas de seguida retirava-se a tampa e deixava-se cozer durante cerca de duas horas. Nos últimos minutos de cozedura fechava-se novamente a boca do forno, pois este tinha perdido muito calor durante a cozedura e se necessário fazia-se uma pequena fogueira à boca do forno para o pão ganhar um pouco de cor.


Na segunda-feira a seguir ao domingo de Pascoa o pároco da freguesia deslocava-se às aldeias para receber o "folar", sendo anunciado por um foguete atirado à entrada da aldeia.

Este folar tratava-se de um ritual de entrar em todas as casas que estivessem assinaladas com flores à porta,acompanhado por uma pessoa com a cruz, outra com a água benta e outra com um sino, onde se rezava e benzia com a água. Este grupo era saudado com uma mesa com amêndoas, vinho e um prato com a esmola a dar.
(cont.)

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